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Insegurança: de onde vem e como agir mesmo inseguro

Insegurança é a dúvida sobre si que aparece na hora de agir. Veja de onde ela vem, o que a pesquisa diz sobre ser observado e como agir mesmo inseguro.

Willian PérticoPor Willian PérticoAtualizado em 19 de outubro de 20268 min de leitura

Insegurança aparece como aquela dúvida que surge justamente na hora de agir. "Será que eu sou bom o suficiente?", "e se acharem pouco?", "e se eu não der conta?". Quem empreende convive com ela o tempo todo, porque cada passo expõe o que você sabe, o que cobra e o que entrega. Este texto faz parte da trilha de medo de empreender e explica de onde vem a insegurança, o que a pesquisa diz sobre a sensação de ter todos os olhos em você e, principalmente, como agir mesmo inseguro. A boa notícia é que dá para fazer isso sem esperar o sentimento passar, porque ele não manda no seu passo. Por isso, aqui no Clã, ninguém precisa se sentir seguro para começar.

Principais pontos

  • Insegurança é um sentimento comum de dúvida sobre si, e não um defeito nem um diagnóstico.
  • Ela costuma vir de experiências passadas, comparação, críticas ouvidas e falta de provas recentes de que você consegue.
  • Estudos sobre o "efeito holofote" sugerem que superestimamos o quanto os outros reparam em nós.
  • Esperar a segurança chegar antes de agir costuma adiar tudo, porque a confiança vem depois da ação.
  • O caminho é agir em passos pequenos, juntar provas e conversar com quem pode ajudar.

Para agir mesmo inseguro, reduza o passo até ele caber na sua dúvida, aja, anote o que aconteceu e use isso como prova para a próxima vez. A insegurança não some antes do primeiro passo. Ela diminui quando você junta evidências de que consegue, uma de cada vez.

O que é insegurança?

Na prática, é a sensação de que você não está à altura do que precisa fazer. Aparece como dúvida, hesitação, vontade de checar tudo de novo ou de pedir a opinião de muita gente antes de agir. Em geral, junto vêm o medo de errar e o medo do julgamento.

Por isso, vale separar três coisas que parecem parecidas. Insegurança paralisa. Prudência é a cautela proporcional ao risco, e por isso ela ajuda. Humildade é reconhecer o que você ainda não sabe, e isso abre a porta para aprender. O problema não é duvidar, e sim deixar a dúvida decidir sozinha.

De onde vem a insegurança?

Não há uma causa única, mas alguns caminhos se repetem:

  • Experiências passadas. Uma crítica dura, um fracasso marcante ou uma situação de humilhação podem deixar a mensagem "eu não sirvo para isso".
  • Comparação. Você olha para quem está mais adiante e esquece que está vendo o resultado dos outros, e não o rascunho.
  • Cobrança alta. Crescer em um ambiente em que o valor dependia do desempenho ensina a duvidar de si.
  • Falta de provas recentes. Quando faz tempo que você não faz algo novo, a dúvida cresce no vazio.
  • Território desconhecido. Todo mundo se sente inseguro diante do que nunca fez, e quem empreende vive no desconhecido.

Nenhuma dessas origens é um veredito. Pelo contrário, são pistas. E, como aprendemos a maior parte delas, dá para reaprender.

O que a pesquisa diz sobre ser observado: o efeito holofote

Mas parte da insegurança vem da sensação de que todo mundo está olhando e julgando. Thomas Gilovich, Victoria Medvec e Kenneth Savitsky estudaram isso em 2000, em uma série de experimentos famosa como "efeito holofote". Por exemplo, em um deles, estudantes foram instruídos a vestir uma camiseta constrangedora e a entrar em uma sala cheia de outros estudantes. Segundo resumos do estudo, os participantes previram que cerca de metade das pessoas notaria a camiseta, mas, na prática, só uma parcela bem menor reparou.

Em outras palavras, a gente tende a achar que está sob um holofote, mas os outros estão ocupados com os próprios problemas. Atenção ao limite: os números variam entre os relatos, e foram experimentos com universitários em situações específicas. Mesmo assim, a ideia é útil para o dia a dia: provavelmente os outros reparam menos em você do que você imagina.

Por que esperar se sentir seguro não funciona

Muita gente pensa: "quando eu me sentir seguro, eu começo". O problema é que a segurança, na maioria das vezes, vem depois da ação, e não antes. Albert Bandura, em um trabalho clássico de 1977, descreveu a "autoeficácia", a crença de que você consegue realizar uma tarefa, e apontou que uma das fontes mais fortes dela são as experiências de ter feito algo com sucesso. Ou seja, você ganha segurança fazendo.

Por isso, esperar o sentimento chegar é o caminho mais longo. Já o mais curto é fazer um passo pequeno, ver que deu certo (ou aprender com o que não deu) e usar isso como prova. Depois, se quiser aprofundar, o texto sobre autoconfiança e pequenas provas mostra como construir esse repertório.

Como agir mesmo inseguro, passo a passo

Nenhum passo pede que a insegurança desapareça. Pelo contrário, todos pedem que você aja com ela.

  1. Nomeie o que você sente. Diga: "estou inseguro porque nunca cobrei esse valor". Nomear a causa transforma um sentimento vago em um problema concreto.
  2. Separe fato de interpretação. Fato: "nunca fiz uma proposta desse tamanho". Interpretação: "vou fazer feio". Escreva as duas colunas.
  3. Prepare-se na medida certa. Preparação proporcional ao risco ajuda. Preparação infinita é fuga. Defina o que precisa estar pronto e um prazo para parar.
  4. Reduza o passo. Em vez de "apresentar para o cliente grande", "ensaiar a apresentação para um amigo".
  5. Peça uma perspectiva de fora. Mostre a uma pessoa de confiança e pergunte: "o que está bom e o que eu ajusto?". Uma conversa curta costuma desfazer muita dúvida.
  6. Aja. Envie, publique, ofereça. Sem a quinta releitura.
  7. Anote o que aconteceu. Escreva três linhas: o que você fez, o que resultou e o que aprendeu. Isso vira prova para a próxima vez.
  8. Comemore. Reconhecer o passo sustenta a motivação.
Na prática

Hoje, escolha algo que você adia por insegurança. Depois, escreva o fato e a interpretação, reduza o passo, mostre a uma pessoa de confiança e faça até amanhã. Depois, anote o resultado.

Insegurança no negócio: situações comuns

Por exemplo, veja como ela aparece e o que fazer:

  • Na hora de cobrar: o medo de "pedir demais". Defina o preço com uma conta simples (custos, tempo e margem) e fale o valor sem pedir desculpa. O texto sobre como cobrar pelo seu trabalho sem vergonha ajuda.
  • Na hora de aparecer: o medo de gravar ou postar. Comece com algo pequeno e sem plateia grande. O texto como começar a criar conteúdo sem vergonha de aparecer traz passos.
  • Na hora de vender: o medo de incomodar. Mude o foco de "convencer" para "ajudar quem tem o problema".
  • Na hora de decidir: o medo de escolher errado. Separe decisões reversíveis das irreversíveis e decida rápido as primeiras.
  • Diante de quem sabe mais: a sensação de ser menos. Lembre que cada pessoa começou do zero, e você tem algo que os outros ainda não têm.

Quando a insegurança é mais do que dúvida

A insegurança comum vem e vai, e então se alivia com ação. Mas, quando pesa demais, aparece o tempo todo e atrapalha a vida, merece atenção. Por exemplo: evitar situações sociais ou profissionais por medo forte, sofrimento persistente, crises de ansiedade, tristeza prolongada ou sensação de inutilidade.

Nesses casos, então, converse com um psicólogo ou um médico. Este texto não faz diagnóstico. Em caso de sofrimento forte ou pensamentos de tirar a própria vida, ligue para o CVV pelo 188, a qualquer hora, de graça, ou acesse o site do CVV. O texto pedir ajuda não é fraqueza traz dicas de como e a quem pedir.

Por onde continuar

Perguntas frequentes

O que é insegurança?

É a sensação de dúvida sobre a própria capacidade, que aparece principalmente quando você vai agir. É comum e, por isso, não é um diagnóstico. Junto dela, vêm o medo de errar e o medo do julgamento.

De onde vem a insegurança?

De uma combinação de fatores: experiências passadas, comparação, cobrança alta, falta de provas recentes e território desconhecido. Aprendemos a maior parte deles, e por isso dá para reaprender.

Como superar a insegurança?

Não precisa eliminá-la antes de agir. Nomeie o que sente, separe fato de interpretação, reduza o passo, peça uma perspectiva de fora, aja e anote o resultado. Assim, cada prova diminui a dúvida.

Insegurança é falta de autoestima?

Pode ter relação, mas não é a mesma coisa. A insegurança é uma dúvida situacional, enquanto a autoestima é a visão geral que você tem de si. Se a dúvida for constante e dolorosa, vale conversar com um psicólogo.

Dá para empreender sendo inseguro?

Dá, e muita gente faz isso, porque a insegurança é normal diante do desconhecido. Então o importante é agir em passos pequenos e juntar provas de que você consegue.

Próximo passo

O seu passo de hoje: escolha algo que você adia por insegurança, reduza o passo, mostre a uma pessoa de confiança e faça até amanhã.

Você faz parte do Clã. Aqui, a gente age com a dúvida junto, porque a segurança vem do caminho, e não da espera. Se você chegou agora, seja bem-vindo. A porta está aberta.

Para seguir na trilha, leia autoconfiança: como construir a sua com pequenas provas. O livro Antiperfeccionismo conta o caminho completo.

Conhece alguém que vive esperando o momento certo? Mande este artigo.

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Willian Pértico
Willian Pértico

Escreve para quem quer empreender, destravar o projeto e simplificar a jornada. Sempre com o mesmo lema: Viver · Sobreviver · Reviver

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